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COM JEITO DE PIMENTA E COM SABOR DE DEUS
Autor: Quico Fagundes ( euclides@synergia.com.br
)
Sérgio Pimenta foi
um dos principais compositores evangélicos brasileiros.
Participante da primeira geração de autores
nacionais de Vencedores por Cristo, foi presença obrigatória
em todos os principais discos e grupos musicais dos anos 70
e 80, como compositor, violonista e cantor.
Autor de músicas como Cada Instante, Você pode
ter, Quando a glória, Pescador, Ele é o teu
louvor, Tudo ou nada, Vou chegar, Resposta Certa, Aquele que
me ama, É preciso, Vem comigo, Fruto da semente, Para
sempre e mais, Quando se está só, A moça
do poço, O que me faz viver, Fonte, Só quem
sofreu, e mais de 300 composições, será
lembrado para sempre como um músico de Deus, um original
raro, autor de canções dignas do "amor
que jamais acaba" e legítimo herdeiro de I Co.
13.
Falecido em 1987, de câncer, aos 32 anos,
é com alegria que divulgamos um pouco de sua vida e
obra, em reconhecimento à sua enorme contribuição
à música evangélica nacional.
Um pouco de história
Sérgio Paulo Muniz Pimenta nasceu em 1954, no Rio de
Janeiro. Filho do Dr. Silas e D. Ilza, inicialmente membros
da igreja congregacional e depois presbiterianos, de origem
simples, moradores da zona norte do Rio, ele militar, médico
do Exército, perfil meio sisudo, e ela mãe do
tipo gentil, alegre, sorriso largo. Gente simples está
certo, mas não gente comum. A diferença era
a Vida, com "V" maiúsculo, em Jesus. Depois
a música. E que música!
Meu primeiro contato com a música do
Pimenta foi através das irmãs Itamar e Iracema
Bueno, filhas do Cel. Silas Bueno, que tinham uma dupla e
me pediram para decifrar uma fita com músicas de um
rapaz do Rio que tinha um material diferente, sensacional.
Isto lá pelos idos de 71/72. O violão da fita
fazia umas craquezas que elas não conseguiam tocar
e então procuraram um especialista (eu!), na época
um garoto de 15/16 anos que tinha estudado um pouco de clássico.
Maravilha. Lá estavam Cada instante e outras jóias,
que passamos a cantar nas igrejas, com boa receptividade do
público.
Vim conhecê-lo pessoalmente em janeiro
de 1973, quando estive hospedado em sua casa, na Av. Barão
do Bom Retiro, bairro do Grajaú, durante uma excursão
de nosso conjunto Ele Vive ao Rio de Janeiro. Coisas da juventude.
O ponto de contato foi o Apolônio Brandão, que
na época já usava bigode, era o principal tenor
do grupo e tinha frequentado a mesma igreja presbiteriana
dos Pimenta, no Rio. Quando confirmamos a viagem e sabendo
que seríamos hospedados por famílias cariocas,
o Apolônio deu um jeito de me escalar na residência
deles, com o argumento incontestável: "Quico,
você precisa conhecer o Sérgio. Toca um violão
sensacional e ganhou vários festivais evangélicos,
com músicas de primeira. É gente finíssima,
você vai gostar". Dito e feito.
Nosso primeiro contato teve um lance pitoresco.
De violão desembainhado, nos identificamos logo e tratamos
de mostrar o material que estávamos tocando. Ninguém
queria passar por pangaré e logo estávamos num
entusiasmado desafio, ou melhor, desafino, pois éramos
dois adolescentes meio derrapantes nos vocais. Depois de meia
hora de violão prá cá e prá lá,
e os dedos fazendo as melhores aranhas que conhecíamos
para impressionar o adversário, adivinhem o que eu
toquei para ele? Isto mesmo, Cada instante, que eu tinha aprendido
na fita da Itamar e Iracema. Ele deu um pulo da cadeira e,
como bom malandro, me alfinetou: "Há, essa fui
eu que fiz!" Que coisa: quando você sabe tocar
a música do cara e ele não sabe nenhuma sua,
é porque ele está sendo mais solicitado do que
você! A saída foi me render à força
do adversário e dar também uma boa risada. Vejam
como são as coisas: até hoje me lembro deste
trauma de infância!
Eu tinha quase 17 anos e o Sérgio uns
18. Eu tocava violão com floreios clássicos
e ele com tempero de bossa nova. Eu preparava vestibular para
engenharia elétrica e ele para medicina. Ambos gostaríamos
de ter sido músicos profissionais, mas a estrutura
da música evangélica da época não
permitia. Naquele tempo, o que se conhecia eram os corais,
os quartetos masculinos tipo Arautos do Rei, alguns solistas
avulsos e, em São Paulo, o missionário Jim Kemp
estava consolidando os Vencedores por Cristo. No início,
eles cantavam músicas num estilo meio jovem-guarda,
americanas traduzidas e usavam uniforme mais para anos 50.
O nosso conjunto Ele Vive, era um clone deles. Gostávamos
muito das canções de Ralph Carmichael, tipo
Existe um lugar, Se eu fosse contar, Volte atrás e
outras, com harmonia em 4 vozes e um violãozinho esperto
acompanhando. Agora, viver exclusivamente de música,
ninguém conseguia. Não havia mercado evangélico
ainda. Os discos tinham uma produção caríssima
e os mecanismos de divulgação eram muito limitados.
Rádio evangélica, só umas duas AM em
São Paulo e Rio, mas que ninguém ouvia.
É importante destacar que no início
dos 70, estávamos vivendo uma época extremamente
fértil na música popular brasileira, onde se
destacavam talentos fantásticos como Tom Jobim, Vinícius
de Moraes, João Gilberto, Carlinhos Lira, Ellis Regina,
Baden Powell, Luis Bonfá, Chico Buarque, Edu Lobo,
Geraldo Vandré, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton
Nascimento, Fernanto Brant, MPB4, Os Mutantes e se revelavam
garotos mais próximos da nossa geração,
como Gonzaguinha, Ivan Lins, Toquinho, João Bosco,
Aldir Blanc, Secos e Molhados, Nei Matogrosso, os mineiros
Toninho Horta, Wagner Tiso, Flávio Venturini, Beto
Guedes, Lô Borges, Moraes Moreira e os Novos Baianos,
os nordestinos Fagner, Belchior e Alceu Valença, os
gaúchos Kleiton e Kledir e vários outros. Que
geração de peso, heim?
Nossa formação musical estava
toda baseada nos altos padrões dessa turma, fortemente
bossa-nova, mais um pouco de Beatles e não esqueçamos
de Pixinguinha, Noel, Garoto e Villa-Lobos.
Aí, o Pimenta levava uma grande vantagem
sobre os outros músicos evangélicos, pois morava
no Rio, de longe o grande centro cultural do Brasil, tinha
crescido assistindo os principais artistas ao vivo, chegou
a conhecer um ou outro de perto, sua família fazia
rodas de samba e de choro entre uma feijoada e um Fla-Flu,
e tinha ainda o mar e as calçadas de Copacabana para
sobremesa. As antenas da Embratel estavam recém se
tornando populares e tudo apontava para o Rio: a televisão,
as novelas, os festivais, o cinema, o Fino da Bossa, a Tropicália,
o Fusca, o Canal 100, o gol 1000 do Pelé, os Atos Institucionais
do governo, as estatais, a dívida externa, etc. e tal.
Nós assistíamos tudo aquilo pelo tubo da TV,
em preto e branco. O Pimenta estava lá de corpo e alma,
em cores.
Além disto, os anos 70 foram de muita
contestação política e os estudantes
do Rio fizeram constantes passeatas, enfrentando prá
valer o regime. Alguns morreram em choques com a polícia,
muitos foram presos e outros desaparecidos. O Sérgio
também tinha coração de estudante e sonhava
com um outro país. Embora não tivesse atividade
política de esquerda, como era a moda, afinal era filho
de militar, estudante do Colégio Militar e bom presbiteriano,
acabou sendo um revolucionário no contexto evangélico.
Mas de todas as suas influências, tem
uma que é de longe a principal para a música:
o Sérgio era negro e carregava debaixo da pele todo
o swing, a espontaneidade, a risada e o balanço naturais
que só a negritude possui. Há! Juntem a esses
cromossomos uma intimidade tremenda com Deus, que ele cultivava
desde a infância, um coração manso, uma
submissão enorme ao Altíssimo, o fascínio
por Jesus e pela Palavra, mais o jeitão carioca e terão
uma idéia de quem era ele.
Aleluia! "Houve um homem enviado por Deus,
cujo nome era
Sérgio Pimenta". Músico,
carioca, crente, gênio. Ponto.
Depois que o tempo passa, parece que fica mais
fácil olhar para trás e analisar a história.
Enquanto as coisas estão acontecendo, acho que ninguém
sabe exatamente a dimensão do seu papel. Ótimo,
a vida foi construida assim mesmo. Deus não nos conta
o que virá pela frente, mas requer passos de fé.
Isto o Pimenta tinha de sobra e acredito que ele foi o que
mais avançou dentre todos da sua geração.
Passamos umas duas semanas trocando músicas e constituimos
uma amizade bonita, daquelas de dão saudade.
A conspiração
A vida continuou, às vezes nos encontrando e muitas
nos separando. Parece que ele não malhou o suficiente
para entrar na medicina, profissão de branco. Acabou
seguindo a carreira verde e oliva, cedendo meio a contra-gosto
às pressões paternas para ingressar na Academia
Militar de Agulhas Negras em Resende-RJ.
Vocês podem imaginar o que é um
sujeito altamente criativo, pura intuição, músico
por natureza, daqueles já estão com a melodia
pronta enquanto você só assobiou umas míseras
notas, mais ainda a cariocagem sub-cutânea, ter que
acordar todo dia de madrugada, enfrentar a rotina de um quartel
e conviver num clima de disciplina e obediência aos
superiores? Eu me arrepio, só em pensar. Pois para
mim, foi justamente o que ele ganhou no Exército, a
disciplina, que o levou mais longe do que os outros. O Pimenta
tinha hábitos irritantemente responsáveis e
como bom militar era Caxias mesmo, principalmente com os horários
e ensaios. Ficava um leopardo rosnando quando a galera não
levava a sério os compromissos. Vocês sabem como
é esse pessoal de música crente. Muitos acham
que Deus perdoa tudo e que podem levar os seus ministérios
na flauta. Está certo, Deus perdoa, mas Ele também
detesta picaretagem e mediocridade. Quem tem ouvidos para
ouvir, leia e retenha o que é bom.
Já estamos em 1974. Mais estudo e menos
música, tínhamos que virar adultos de futuro.
Perdemos o contato por um bom tempo. De repente, não
mais que um suspiro, apareceram os Vencedores por Cristo com
o disco De vento em popa, revolucionando toda a música
evangélica brasileira. Era 1977 e o Jim Kemp teve a
iluminação de deixar de lado as traduções
americanas e dar uma chance a jovens talentos locais. Conseguiram
reunir feras como o Aristeu Pires Jr. de Brasília,
os paulistas Guilherme Kerr, Nelson Bomilcar, Gerson Ortega,
Arthur Mendes e, como não poderia deixar de ser, o
carioca Sérgio Pimenta. Esse grupo formou um time de
conspiradores, digno das maiores inconfidências, que
mudou de vez o perfil musical evangélico do país!
(Eu estava fora destas rodas musicais, mais envolvido com
a engenharia. Lamento apenas não ter tocado o violão
de Cada Instante a minha favorita. Lágrimas à
parte, depois fui lembrado para o disco póstumo do
Sérgio, tocando A moça do poço).
O que estes garotos realmente fizeram? Para
responder a esta pergunta, é importante lembrar o que
era a música evangélica e a própria igreja.
Nessa época, praticamente só existiam as tradicionais
metodista, presbiteriana, batista, adventista, luterana, congregacional,
assembléia de Deus e algumas pentecostais. Instrumento
sacro, só o órgão. Música sacra,
só de coral. Música congregacional, digna de
ser cantada no templo, só os hinos tradicionais, 99%
europeus e americanos traduzidos. Tinha uns tais de corinhos,
considerados música de 2a. categoria. Para estes valia
tocar violão, mas não durante o culto, principalmente
o da noite, que era solene, formal e engomado. Os pastores
faziam curso de oratória e mais uma tonelada de matérias
com nome esquisito, como homilética, hermenêutica,
propedêutica e usavam um português erudito, que
nós, jovens, até fazíamos esforço
para entender, mas francamente, parecia latim. Todas as igrejas
também tinham o seu Conselho de Anciãos, que
policiavam rigidamente hábitos e costumes, além
de saber tudo sobre a vida alheia.
Agora imaginem de um lado, um bando de guris
nacionalistas, acompanhados por violão e percussão,
cantando Jesus em bossas-novas, sambas, baiões e frevos,
tudo igualzinho ao MPB4, Chico Buarque, Edu Lobo e cia. De
outro, coloquem o bando dos jovem-guardistas, tocando guitarra,
contra-baixo e bateria, num estilo copiado dos Beatles. Estes
últimos eram mais barulhentos, pois ainda usavam microfones
e amplificadores valvulados. Agora, sintam o drama: os dois
bandos querem tocar na igreja. Pior: no culto da noite! Pior
ainda: toda a mocidade da igreja aderiu aos caras! Tijolada:
está cheio de cabeludos, barbudos, mini-saias e calças
boca de sino! Essa foi na canela e doeu prá chuchu:
os jovens só querem saber dos movimentos para-eclesiásticos,
como Palavra da Vida e Mocidade para Cristo. Chorem viúvas
de Jesuralém: as igrejas tradicionais estão
ficando vazias de jovens!!
Pois é. Houve conflito e confronto mesmo.
Muitas igrejas não perceberam que os tempos tinham
mudado e perderam gerações inteiras de jovens.
A minha, metodista, infelizmente não teve sabedoria
e expulsou muita gente. Custou caro. Levou mais de 15 anos
para termos de novo uma igreja alegre e amorosa.
O grande mérito do grupo de Vencedores
por Cristo foi, em minha opinião, juntar os dois bandos,
nacionalistas e jovem-guardistas, e fazer uma música
de alta qualidade, cantável tanto na igreja como em
teatros. Eles perceberam que o importante não era contestar
o sistema e sim, alcançar as pessoas, principalmente
a mocidade. Foi assim, calmamente, sem guerrilha, que eles
ocuparam o espaço e conquistaram a todos, abrindo portas
para diversos outros grupos nacionais divulgarem seus trabalhos.
Considero muito importante também a visão
de Vencedores de se articular com a COMEV - Comunicações
Evangélicas e viabilizar um estúdio de gravação.
Embora com limitações em relação
aos principais estúdios da época, eles conseguiram
reduzir substancialmente os custos de produção
e o melhor: permitiram aos garotos somar experiência
em arranjos instrumentais, engenharia de áudio, técnicas
de gravação, mixagem, e todo o ciclo comercial
de um disco. A experiência acumulada tornou-os melhores,
longe de qualquer outro grupo brasileiro. Agora me digam,
quem se tornou o principal compositor? Basta ver as capas
dos discos e aparecerá com maior frequência o
nome dele: Sérgio Pimenta.
O Casamento
Do meu lado, logo que acabei os estudos em computação,
tratei de passar no cartório e me amarrar de vez com
a minha alemoa: Susana. Casamos em 79 e como ela morava no
Rio, cheguei a encontrar o Pimenta algumas vezes. Só
que ele nunca comentou sobre namoradas. Parecia muito envolvido
com o Exército e os discos.
Aí, chega o convite de casamento em 82.
Legal, o criatura tinha descoberto que era humano e que ninguém
é de ferro, afinal, estamos aí para crescermos
e multiplicarmo-nos também. Abri o envelope, li o nome
da noiva, Sônia, aliás muito bonito, desejei
toda felicidade do mundo e fui ver o endereço para
mandar um telegrama. Foi aí que tomei o maior susto:
o nome dela era Dimitrov. Como? Quem será que o Sérgio
foi arrumar? Isto mesmo, a moça era russa, descendente
de ucranianos. Mais branca, impossível. Era batista,
dentista e tinha participado de algumas equipes de Vencedores
onde, conversa vai, conversa vem, acabaram se achando. Mulher
de coragem também, pois enfrentou muitos olhares tortos
para estar ao lado dele. Eu sempre achei que o cara era criativo
e inovador, mas desta vez ele tinha se superado. Há!
Estivemos juntos, em família, algumas
vezes e novamente fizemos uma amizade bonita. Temos filhos
mais ou menos da mesma idade, eles o Renato e a Juliana, hoje
com uns 14 e 13 anos, e nós a Ana Carolina e a Juliana.
Eles tinham uma Brasilia-VW com estilo: rebaixada, rodas tala
larga, volante esportivo e um belo som, com toca fitas. Ele
era da arma de comunicações no Exército
e sempre tentou ser nomeado em unidades próximas de
São Paulo, para não atrapalhar o consultório
da Sônia. Posso dizer que eles formavam um belo casal,
superando todas as barreiras raciais e eram muito companheiros.
Quanto à música, o casamento trouxe
também maturidade. Não podendo mais viajar tanto
com Vencedores e já com outros sonhos na cabeça,
os conspiradores Nelson, Gerson, ele e mais uns garotos, formaram
o Grupo Semente, que produziu discos maravilhosos. Sua voz
grave pode ser apreciada no LP "Plantando a Semente",
de 1982, onde ele canta "Resposta Certa", que para
mim é a sua melhor interpretação: "O
coração do homem pode fazer planos, analisar
as condições do mundo e os rumos desta vida,
mas a resposta certa sempre virá, sempre será
tão somente de Deus". Pena que ele tenha cantado
muito pouco nos discos. Como bom perfeccionista, tinha uma
certa insegurança quanto ao resultado da gravação,
pois se achava melhor compositor do que cantor. Cada louco
com a sua mania, mas sua voz era excelente, principalmente
para blues e bossas-novas. Ninguém em São Paulo
tinha o swing e o sotaque carioca que combinavam tanto com
aquelas canções.
A despedida
Em 1986 voltei para Brasília e ele foi transferido
para o Rio. Estivemos juntos no verão de 1987, em seu
apartamento na Tijuca. Famílias reunidas, esposas radiantes,
filhos lindos, músicas novas etc. e tal. Ele se queixava
de uma dor nas costas, mas os exames não tinham identificado
nada de anormal.
Em abril, tivemos a notícia do câncer.
Choque geral. O que? Não pode ser verdade!! Era e a
doença evoluiu rápido, fulminante. De nosso
lado, tentamos todos os recursos: oramos fervorosamente, jejuamos,
choramos na presença de Deus, vários pastores
estiveram acompanhando de perto, a família procurou
os melhores especialistas, seu pai que era médico fez
o que pode, mas
Em agosto de 1987, Sérgio Pimenta faleceu,
no Hospital do Câncer em São Paulo. Inacreditável.
Todos ficamos esperando um milagre até a última
hora, mas ele se foi mesmo. E então?
O depois
O que aconteceu e porque aconteceu não tem explicação.
Já se vão 10 anos e cada vez que relembro o
que passamos, toda vez que falo com a Sônia e as crianças,
além de me emocionar, acabo convencido de que está
muito além da nossa compreensão. Vocês
lembram de Paulo em II Co 12, quando pediu três vezes
que o Senhor tirasse o seu "espinho na carne"? A
resposta de Deus foi: "a minha graça te basta,
porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza". Penso
também em Jesus no Getsêmani, conforme Mt 26,
quando orou três vezes: "Meu Pai, se possível
passe de mim este cálice! Todavia não seja como
eu quero e, sim, como tu queres". A cruz estava chegando
e a cruz era o seu projeto de vida
Sei que o Sérgio
fez esta oração também.
O que sobrou? Passados todos estes anos, fica
claro, em primeiro lugar que ele fez uma escolha extremamente
acertada para a esposa. A Sônia é mesmo uma grande
mulher, pois reestruturou sua vida e, embora ainda não
tenha outro companheiro, é uma pessoa alegre, que aceita
desafios, não perdeu a fé e vai levando a vida
com brilho. Os filhos são uma pintura. Lindos, espertos,
já revelam os mesmos cromossomos da música e
da malandragem discreta. Como se diz: "sangue não
é água". O Renato já é convidado
para tocar flauta em eventos de gente grande e a Juliana tem
a simpatia contagiante que a tornará uma grande cantora.
De tudo o que ele fez na vida, seus filhos ainda são
a maior obra de arte. Estarão sempre abençoados,
primeiro pelos pais, depois por nós e, eternamente,
por Deus.
E quanto à sua música? Também
estará para sempre conosco. Vocês já repararam
que a Bíblia tem sempre alguma novidade, mesmo depois
de lida e relida por toda a nossa vida? Olhem que é
um livro de quase 3000 anos de Antigo Testamento e uns 2000
de Novo. Porque ela nos atrai tanto assim? É porque
foi feita com o amor que jamais acaba. O amor de Deus para
com a sua criação.
O Pimenta usou estes mesmos tijolos na sua obra.
O resultado: ela vai permanecer!
"Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens
para vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai
que está nos céus." Mt 5:16
Aleluia! A vida continua. A Vida é de
Jesus. É eterna e as portas do inferno não podem
prevalecer contra ela!!
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