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QUEBRANDO ALGUNS ESPELHOS
Autor: Mauricio Domene
Quero propor ao músico que
me lê quebrarmos juntos alguns espelhos. Não,
não precisa ficar receoso de 7 anos de azar, até
porque isso é bobagem. Os espelhos a que me refiro
são nosso referênciais, os gênio musicais
em quem nos espelhamos.
Devemos procurar o aperfeiçoamento na nossa arte, e
olharmos para quem está acima de nossas capacidades
para buscar inspiração e um alvo a ser seguido.
Esses "heróis" musicais, esses espelhos,
são muito positivos e úteis se nos impulsionarem
em direção ao crescimento. Mas não é
sempre que isso acontece.
Numa conversa recente com alguns amigos, percebi um modo de
pensar que é muito comum entre nós. Já
ouviu um músico dizer: "Ah... quando eu ouço
Fulano tocar, tenho vontade de arrancar minhas mãos",
ou então: "Quando Sicrano toca, tenho até
raiva... vontade de não tocar nunca mais."
Alguns músicos tomam como referência
para sí um outro músico famoso, normalmente
um virtuoso do jazz, e ao invés disso ser um desafio,
é na verdade um elemento gerador de desânimo
e paralisia. Então vamos quebrar esses espelhos, porque
não estão servindo prá nada, ou pior,
estão atrapalhando o nosso desenvolvimento como músicos.
Que tal olhar para algum espelho mais próximo, algo
mais possível de ser atingido? Ao invés de olhar
para os Joe Satriani da vida, porque não olhar para
um talentosíssimo guitarrista daqui de perto, como
o Juninho (do G3). Creio que ele está num nível
maior que a maioria é capaz de tocar, mas não
está no pedestal de insuperável, nem de inatingível.
Se eu olho para ele, vejo que é possível chegar
perto, que é provável, se me dedicar tanto quanto
ele faz, que eu consiga tocar com a mesma destreza e arte.
E isso me faz ir adiante... não me faz sentir impotente,
e portanto, incapaz de me ver no espelho que escolhi.
Ao invés de ficar olhando no espelho impossível,
olhando para o inatingível, e ficar dizendo: "Nunca
serei capaz de tocar tão bem", e ficar parado,
sem estudar e sem progredir, vamos escolher um espelho mais
próximo que nos impulsione a seguir em frente, e quem
sabe, um dia sermos espelho de outros também.
Eu já comecei a quebrar meus espelhos. Convido você
a fazer o mesmo.
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