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EU JA OUVI ISTO EM ALGUM LUGAR
Autor: João Inácio
"Eu já ouvi isto em algum lugar ..."
Lembro-me que certo dia fomos cantar em uma igreja, era hora da ceia,
o pastor segurava o cálice em uma das mãos e o microfone
na outra. O Pastor convidou a congregação para orar e cometeu
um ato falho. Levantou a mão com
o microfone e começou a orar, falando no cálice. Foi difícil
me conter e, não fosse a Ranúzia me olhar com o típico
olhar de esposa repreendendo o marido (quem é casado sabe do que
estou falando), certamente eu teria passado vergonha por causa de uma
boa risada. Claro, cometer atos falhos é condição
inerente a figura humana. Mas o que não podemos confundir é
cometer
um ato descuidado, despretencioso e outro que seja premeditadamente malévolo.
O que pretendemos chamar a atenção
é para a verdadeira industria que se instalou no Brasil. Ou seja,
a industria da versão (ou da aversão). Assim como no meio
secular, onde esta prática vem de longas datas, nosso meio está
aderindo, sem maiores traumas e/ou questionamentos, o copiar sem autorização,
vulgamente conhecido como Pirataria. Basta que uma bela canção
faça sucesso nos Estados Unidos, que nossos exegetas de plantão
automaticamente a traduzem para nosso dialeto e gravam. E vale de tudo.
A frase "baby, baby" da Amy Grant, vira Jesus Cristo, a frase
Hello do Lionel Richie, vira eu vou, a frase "in this world we need
someone that we can trust" virou a frase o teu amor renova meu coração
em um conhecido cântico, largamente entoado nas igrejas. Tudo isto
teria pouco significado se todas as alterações fossem feitas
com a anuência dos autores e fossem também
recolhidos os direitos de gravação, o que quase nunca acontece.
Tem-se chegado a tal ponto que de repente passamos a ouvir a saudosa canção
italiana "torneró", músicas do Elton John, etc.
receberem um banho de "santificação" e serem transmutadas
com letras alusivas às coisas da Bíblia. E como se não
bastasse fazer a santificação do secular, já dispomos
de artistas evangélicos que cantam e compõe (ou tentam)
com a voz do Roberto Carlos, Rosana, Fábio Jr., Elvis Presley,
Renato Russo, Chitãozinho e Chororó, etc. É no mínimo,
ridículo, escutar músicas que copiam a criatividade de artistas
seculares. Uma conhecida banda gospel, originária do Rio de Janeiro,
inacreditavelmente copiou as introduções de "Sina e
Novidade", músicas do Djavan e Gilberto Gil/Herbert Viana,
respectivamente.
Até o "yeahh" é (ou tenta ser) igual.
Sabiamente, as pregações de nossos
cultos têm sido que devemos nos lavar com o Sangue de Cristo. Concordo
totalmente. Inclusive, porque o sangue de Cristo nos lava do pecado e
faz com que passemos a ter comportamentos éticos que estimulem
ao incrédulo, a querer ser igual. Não foi o que aconteceu
com os irmãos, conforme descrito em Atos, no início da igreja?
Acredito que muitos dos irmãos levitas, que têm se utilizado
desse expediente, estão sinceramente enganados e acham que podem
copiar, alterar e até assumir a
parceria com o autor, como tive a oportunidade de ver uma música
do Paul Simon (Bridge Over Troubled Water), gravada com letra evangélica
e constava na ficha técnica: Bridge Over Troubled Water (Fulano
de Tal/Paul Simon). Não estranhamos o fato em si, afinal, Jesus
já havia alertado que o trigo e o joio estariam lado a lado e Ele
é quem vai separar. Apenas Ele.
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