Valter Junior

CANTINHO DO MUSICO
Coluna do João
14/08/2001


EU JA OUVI ISTO EM ALGUM LUGAR

Autor: João Inácio

"Eu já ouvi isto em algum lugar ..."
Lembro-me que certo dia fomos cantar em uma igreja, era hora da ceia, o pastor segurava o cálice em uma das mãos e o microfone na outra. O Pastor convidou a congregação para orar e cometeu um ato falho. Levantou a mão com
o microfone e começou a orar, falando no cálice. Foi difícil me conter e, não fosse a Ranúzia me olhar com o típico olhar de esposa repreendendo o marido (quem é casado sabe do que estou falando), certamente eu teria passado vergonha por causa de uma boa risada. Claro, cometer atos falhos é condição inerente a figura humana. Mas o que não podemos confundir é cometer
um ato descuidado, despretencioso e outro que seja premeditadamente malévolo.

O que pretendemos chamar a atenção é para a verdadeira industria que se instalou no Brasil. Ou seja, a industria da versão (ou da aversão). Assim como no meio secular, onde esta prática vem de longas datas, nosso meio está aderindo, sem maiores traumas e/ou questionamentos, o copiar sem autorização, vulgamente conhecido como Pirataria. Basta que uma bela canção
faça sucesso nos Estados Unidos, que nossos exegetas de plantão automaticamente a traduzem para nosso dialeto e gravam. E vale de tudo. A frase "baby, baby" da Amy Grant, vira Jesus Cristo, a frase Hello do Lionel Richie, vira eu vou, a frase "in this world we need someone that we can trust" virou a frase o teu amor renova meu coração em um conhecido cântico, largamente entoado nas igrejas. Tudo isto teria pouco significado se todas as alterações fossem feitas com a anuência dos autores e fossem também
recolhidos os direitos de gravação, o que quase nunca acontece. Tem-se chegado a tal ponto que de repente passamos a ouvir a saudosa canção italiana "torneró", músicas do Elton John, etc. receberem um banho de "santificação" e serem transmutadas com letras alusivas às coisas da Bíblia. E como se não bastasse fazer a santificação do secular, já dispomos de artistas evangélicos que cantam e compõe (ou tentam) com a voz do Roberto Carlos, Rosana, Fábio Jr., Elvis Presley, Renato Russo, Chitãozinho e Chororó, etc. É no mínimo, ridículo, escutar músicas que copiam a criatividade de artistas seculares. Uma conhecida banda gospel, originária do Rio de Janeiro, inacreditavelmente copiou as introduções de "Sina e Novidade", músicas do Djavan e Gilberto Gil/Herbert Viana, respectivamente.
Até o "yeahh" é (ou tenta ser) igual.

Sabiamente, as pregações de nossos cultos têm sido que devemos nos lavar com o Sangue de Cristo. Concordo totalmente. Inclusive, porque o sangue de Cristo nos lava do pecado e faz com que passemos a ter comportamentos éticos que estimulem ao incrédulo, a querer ser igual. Não foi o que aconteceu com os irmãos, conforme descrito em Atos, no início da igreja? Acredito que muitos dos irmãos levitas, que têm se utilizado desse expediente, estão sinceramente enganados e acham que podem copiar, alterar e até assumir a
parceria com o autor, como tive a oportunidade de ver uma música do Paul Simon (Bridge Over Troubled Water), gravada com letra evangélica e constava na ficha técnica: Bridge Over Troubled Water (Fulano de Tal/Paul Simon). Não estranhamos o fato em si, afinal, Jesus já havia alertado que o trigo e o joio estariam lado a lado e Ele é quem vai separar. Apenas Ele.

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