Valter Junior

CANTINHO DO MUSICO
Coluna do João
14/08/2001


VOCÊ É DE ALGUMA SEITA? SIM SOU DA CEITA CHEQUE!

Autor: João Inácio

"Você é de alguma Seita? Sim, sou da Seita Cheque!" Tivemos a oportunidade de participar de uma reunião em que estavam presentes os dirigentes de uma certa gravadora evangélica e algumas bandas. Coincidentemente, dias antes eu estivera num acampamento evangélico e a recomendação dos líderes deste acampamento era de que os jovens não cantassem músicas que lembrassem Rock and Roll, igualmente àquelas produzidas pela gravadora em questão. Como eu possuía uma certa proximidade com eles e havia sido convidado a participar da reunião, caí na bobagem de argüi-los sobre qual era a sua posição, visto que algumas igrejas não estavam aceitando o estilo de música por eles divulgado (especialmente o Rock and Roll). Nossa! prá que eu fui tocar no assunto? O homem se transtornou e, quase me batendo, disse: ELES são uma doença e não devemos dar bola. ELES estão afundando o evangelho e são como os fariseus que Jesus tanto criticou. Não dá prá comungar com eles e blá, blá, blá....

O sentimento de que somos uma casta especial, iluminados diretamente pelo Senhor e exclusivos para resgatar o mundo ou a igreja, à partir do nosso ponto de vista, das nossas vãs opiniões e pseudo-exegese e, principalmente, de que o nosso ministério está acima do bem, do mal, de tudo e de todos, nos conduz a um sentimento tal qual o do Hitler e de outros ditadores que não vêem respostas para os dilemas da vida fora do seu mundo. No caso dos "Hitleres", exemplificando aqui todos os líderes perniciosos, a saída foi a de manter uma raça pura, eleita por Deus em detrimento do extermínio dos demais semelhantes na humanidade e diferentes na aparência e procedência.

Tempos atraz, conversando sobre "exclusivismo" com o Rev. Samuel Vieira, Pastor da Christ the King Presbyterian Church, Boston (EUA), escreveu-me as palavras abaixo, as quais concordo plenamente:

"Querido Inácio, o que eu quero afirmar é o seguinte: Toda heresia consiste, não em negar ou afirmar uma verdade, mas supervalorizá-la em detrimento de outras verdades. Por exemplo: a questão do Evangelho Social, sua mensagem é bíblica, nós temos de fato um grande compromisso com a miséria das pessoas e a Bíblia nos adverte a que lembremos dos pobres. No entanto, os seguidores desta verdade acentuaram-na a tal ponto que se tornou uma heresia. O mesmo se aplica a Teologia da Libertação: Todos nós temos bases de sobra para crermos que a Igreja deve se pronunciar politicamente, deve ter ação não apenas individual, mas coletiva, não apenas enquanto pessoa, mas enquanto grupo também. O problema desta corrente teológica, é que enfatizaram tanto isto que isto se tornou uma heresia. Eu creio em verdades hierárquicas, por exemplo, eu creio que a vida e maior que a verdade (sic), e estranho mas é, em alguns casos extremos. Por exemplo: Se alguém vem atras de você para mata-lo e você entra em minha casa e logo em seguida estas pessoas, armadas, querendo mata-lo, perguntam se você esta lá dentro, eu vou responder NÃO. A vida é um principio ético maior que a verdade. O mesmo se deu no caso das parteiras egípcias: Deus não as abençoou por mentirem, mas por terem considerado preciosas àquelas vidas. Isto que eu defendo e chamado em Ética crista de hierarquismo. Segundo, torna-se ingênuo sofrendo este complexo de Adão: refazer tudo a partir de seu ponto de vista. Como dizem os americanos: Give-me a break!"

Refletindo na posição do Rev. Samuel e traçando um paralelo próximo, é difícil não enxergarmos que muitas das vezes achamos que apenas a nossa "nova visão" é que é a correta. Até tentamos contextualizar errado a bíblia e dizer que as coisas velhas já passaram (chega de coral e música tradicional). Enfim, eis que tudo se fêz novo (e viva o gospel music!!!). Nós, os levitas, não somos uma classe especial do reino dos céus aqui na terra. Quando tentamos assumir a postura de uma possível "quarta pessoa da trindade", criticando todas as formas de expressão de louvor que não seja similar nossa, ao que mais nos assemelhamos é com a "segunda pessoa do rabudo". Aquele que compõe Rock não é superior àquele que compõe frevo. O que canta não é superior ao que ensina, etc. Somos apenas parte de um corpo e, como tanto, é natural que a "perna tenha facilidade para caminhar e as mãos para segurar, apenas isto!" Imagino, que na volta do Senhor, que se dará em grande triunfo e glória, haverá um grande coro, juntamente com uma magnífica banda/orquestra, em que maior marca destes levitas será a de possuírem calos nos joelhos, ao contrário dos muitos calos nas mãos e nas cordas vocais. Não estou descartando o "cantar com arte", mas a arte sem o Senhor das artes é apenas a reflexão do sentimento humano, refletindo a caída humanidade do ser humano.

Fica para nossa reflexão a vida do irmão Estevão, descrita em Atos 7:55-60. É um excelente exemplo de quem viu a Glória de Deus e não requereu justiça para si.

Atos 7:55-60

"Mas ele, cheio do Espírito Santo, fitando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus em pé à direita de Deus, e disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem em pé à direita de Deus. Então eles gritaram com grande voz, taparam os ouvidos, e arremeteram unânimes contra ele e, lançando-o fora da cidade o apedrejavam. E as testemunhas depuseram as suas vestes aos pés de um mancebo chamado Saulo. Apedrejavam, pois, a Estêvão que orando, dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. Tendo dito isto, adormeceu."

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