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O PESO DA PALAVRA CANTADA
Autor: João Inácio
Sérgio Pimenta estava
coberto de razão quando escreveu que "as palavras
não dizem tudo, mesmo que o tudo seja fácil
de dizer". Falar muito e ter pouco a dizer tem sido uma
especialidade que lamentavelmente a música popular
brasileira tem desenvolvido. Para o povão, a boa letra
de música tem sido a que deixa nas entrelinhas um gosto
amargo de malícia. Recentemente o Brasil chorou copiosamente
a tragédia da morte dos "Mamonas Assassinas".
Foi estranho acompanhar pela TV cenas que beiravam a tragédia
e a comédia, como a cena de uma mãe chorando,
tendo ao colo uma filha de pouco mais de 3 anos, cantando
uma letra que me recuso a repetir. A cada carnaval que passa,
novas aberrações musicais têm surgido.
Canções e formas de danças populares
tem deixado nas entrelinhas uma mensagem lasciva e perniciosa,
mas apesar de tudo, têm tido o pleno apoio dos veículos
de comunicação.
Mas será que falar nas entrelinhas
é sempre ruim? claro que não. A palavra falada
tem demonstrado seu poder destruidor e também abençoador
ao longo dos tempos. Com a massificação dos veículos
de comunicação, temos sentido o peso da palavra
cantada. A melodia complementa com brilho as cores e nuances
dos versos e das prosas, além de facilitar em muito a
apreensão do que foi dito. O poeta popular Gilberto Gil,
em sua música, Metáfora, cantou: "uma lata
existe para conter algo, mas quando o poeta diz "lata",
pode estar querendo dizer...". Melhor do que qualquer ser
humano, Jesus foi um expert em falar o suficiente para que todos
entendessem sua mensagem e também deixou nas entrelinhas
mensagens que vão além dos séculos. Falar
o suficiente, fazendo com que o outro pense, valoriza o outro
e faz com que este se interesse em saber mais sobre tudo que
foi dito.
Por sorte, quase que como uma reação
involuntária a esse estado de coisa, muitos artistas
cristãos tem mansamente transmitido em versos aquilo
em que acreditam e que vivenciam na pele. O compositor Edilênio
falou com mestria quando escreveu ... são palavras
do silêncio que esperei ouvir / no escuro sem refúgio
eu me vi tão só.../ Suas palavras são
asas que amparam o coração com perdão,
com amor (Palavras que Amparam/Raizes). João Alexandre,
um dos melhores compositores do gênero gospel, ilustrou
com detalhes os dilemas do homem quando disse... Vê!
teus olhos no espelho, por fora um herói, por dentro
um ladrão... Viu? desacreditado, no mundo queimado,
por ser o que é / Vai! longe de teu pai, pensando e
chorando sua falta de fé. João Alexandre, como
tantos outros, tem procurado fugir ao lugar comum e, valorizando
a inteligência de quem escuta suas composições,
tem pregado o evangelho com a profundidade que lhe é
peculiar.
Prá finalizar, deixamos na íntegra
a letra da música Águas, como um bom exemplo
de que se pode sair do lugar comum e falar o suficiente para
que todos entendam quem é a água da vida, descrita
no livro de João.
Águas (Rod Mayer e Estevão
Hernandes)
Água pura que desce do céu
/ todo o planeta inunda / encaminhando saúde a terra
fecunda ./ Água limpa que a vida traz / rios e suas
nascentes / lagos, cascatas e mares / cada dia novamente./
Caminhos ocultos entre os ipês, perobas e igarapés./
Não importa por onde ela passa / porque onde chega
a sede não pode permanecer./ Ao olhar-te cristalina,
te pergunto de onde vens./ Tua força me assusta, tua
beleza me emudece, teu mover me traz canções./
Água pura que desce de Deus / no ventre do homem transborda
/ traz em suas margens e cura, e a paz que conforta./ Água
viva que é Jesus, vinda do trono de Deus / um turbilhão
de virtude / prá todos que são seus.
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