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VOCÊ É DE ALGUMA SEITA? SIM SOU DA CEITA CHEQUE!
Autor: João Inácio
"Você é de alguma Seita? Sim,
sou da Seita Cheque!"
Tivemos a oportunidade de participar de uma reunião
em que estavam presentes
os dirigentes de uma certa gravadora evangélica e algumas
bandas.
Coincidentemente, dias antes eu estivera num acampamento evangélico
e a
recomendação dos líderes deste acampamento
era de que os jovens não
cantassem músicas que lembrassem Rock and Roll, igualmente
àquelas
produzidas pela gravadora em questão. Como eu possuía
uma certa proximidade
com eles e havia sido convidado a participar da reunião,
caí na bobagem de
argüi-los sobre qual era a sua posição,
visto que algumas igrejas não
estavam aceitando o estilo de música por eles divulgado
(especialmente o
Rock and Roll). Nossa! prá que eu fui tocar no assunto?
O homem se
transtornou e, quase me batendo, disse: ELES são uma
doença e não devemos
dar bola. ELES estão afundando o evangelho e são
como os fariseus que Jesus
tanto criticou. Não dá prá comungar com
eles e blá, blá, blá....
O sentimento de que somos uma casta especial,
iluminados diretamente pelo
Senhor e exclusivos para resgatar o mundo ou a igreja, à
partir do nosso
ponto de vista, das nossas vãs opiniões e pseudo-exegese
e, principalmente,
de que o nosso ministério está acima do bem,
do mal, de tudo e de todos, nos
conduz a um sentimento tal qual o do Hitler e de outros ditadores
que não
vêem respostas para os dilemas da vida fora do seu mundo.
No caso dos
"Hitleres", exemplificando aqui todos os líderes
perniciosos, a saída foi a
de manter uma raça pura, eleita por Deus em detrimento
do extermínio dos
demais semelhantes na humanidade e diferentes na aparência
e procedência.
Tempos atraz, conversando sobre "exclusivismo"
com o Rev. Samuel Vieira,
Pastor da Christ the King Presbyterian Church, Boston (EUA),
escreveu-me as
palavras abaixo, as quais concordo plenamente:
"Querido Inácio, o que eu quero
afirmar é o seguinte: Toda heresia consiste,
não em negar ou afirmar uma verdade, mas supervalorizá-la
em detrimento de
outras verdades. Por exemplo: a questão do Evangelho
Social, sua mensagem é
bíblica, nós temos de fato um grande compromisso
com a miséria das pessoas e
a Bíblia nos adverte a que lembremos dos pobres. No
entanto, os seguidores
desta verdade acentuaram-na a tal ponto que se tornou uma
heresia. O mesmo
se aplica a Teologia da Libertação: Todos nós
temos bases de sobra para
crermos que a Igreja deve se pronunciar politicamente, deve
ter ação não
apenas individual, mas coletiva, não apenas enquanto
pessoa, mas enquanto
grupo também. O problema desta corrente teológica,
é que enfatizaram tanto
isto que isto se tornou uma heresia. Eu creio em verdades
hierárquicas, por
exemplo, eu creio que a vida e maior que a verdade (sic),
e estranho mas é,
em alguns casos extremos. Por exemplo: Se alguém vem
atras de você para
mata-lo e você entra em minha casa e logo em seguida
estas pessoas, armadas,
querendo mata-lo, perguntam se você esta lá dentro,
eu vou responder NÃO. A
vida é um principio ético maior que a verdade.
O mesmo se deu no caso das
parteiras egípcias: Deus não as abençoou
por mentirem, mas por terem
considerado preciosas àquelas vidas. Isto que eu defendo
e chamado em Ética
crista de hierarquismo. Segundo, torna-se ingênuo sofrendo
este complexo de
Adão: refazer tudo a partir de seu ponto de vista.
Como dizem os americanos:
Give-me a break!"
Refletindo na posição do Rev.
Samuel e traçando um paralelo próximo, é
difícil não enxergarmos que muitas das vezes
achamos que apenas a nossa
"nova visão" é que é a correta.
Até tentamos contextualizar errado a bíblia
e dizer que as coisas velhas já passaram (chega de
coral e música
tradicional). Enfim, eis que tudo se fêz novo (e viva
o gospel music!!!).
Nós, os levitas, não somos uma classe especial
do reino dos céus aqui na
terra. Quando tentamos assumir a postura de uma possível
"quarta pessoa da
trindade", criticando todas as formas de expressão
de louvor que não seja
similar nossa, ao que mais nos assemelhamos é com a
"segunda pessoa do
rabudo". Aquele que compõe Rock não é
superior àquele que compõe frevo. O
que canta não é superior ao que ensina, etc.
Somos apenas parte de um corpo
e, como tanto, é natural que a "perna tenha facilidade
para caminhar e as
mãos para segurar, apenas isto!" Imagino, que
na volta do Senhor, que se
dará em grande triunfo e glória, haverá
um grande coro, juntamente com uma
magnífica banda/orquestra, em que maior marca destes
levitas será a de
possuírem calos nos joelhos, ao contrário dos
muitos calos nas mãos e nas
cordas vocais. Não estou descartando o "cantar
com arte", mas a arte sem o
Senhor das artes é apenas a reflexão do sentimento
humano, refletindo a
caída humanidade do ser humano.
Fica para nossa reflexão a vida do irmão
Estevão, descrita em Atos 7:55-60.
É um excelente exemplo de quem viu a Glória
de Deus e não requereu justiça
para si.
Atos 7:55-60
"Mas ele, cheio do Espírito
Santo, fitando os olhos no céu, viu a glória
de
Deus, e Jesus em pé à direita de Deus, e disse:
Eis que vejo os céus
abertos, e o Filho do homem em pé à direita
de Deus. Então eles gritaram com
grande voz, taparam os ouvidos, e arremeteram unânimes
contra ele e,
lançando-o fora da cidade o apedrejavam. E as testemunhas
depuseram as suas
vestes aos pés de um mancebo chamado Saulo. Apedrejavam,
pois, a Estêvão que
orando, dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.
E pondo-se de joelhos,
clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este
pecado. Tendo dito
isto, adormeceu."
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