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VESTIBULAR PARA ENTRAR NO CÉU
Autor: João Inácio
"Vamos lá galera do gospel, hora
do vestibular para entrar no céu. Sigam-me,
em fila indiana: um, dois, feijão com arroz. Três,
quatro..."
Ufa! Que alívio é saber que nossas
obras, conhecimento, músicas, pensamentos
nem qualquer outra coisa pode nos salvar. Apenas a aceitação
do sacrifício
de Jesus na cruz é que nos redime de todo pecado. Contudo,
a Bíblia deixa
bem claro que as obras denotam a fé, que o temor ao
Senhor é o princípio da
sabedoria, etc. Em outras palavras, forma e conteúdo
são duas faces de uma
mesma moeda. Não adianta apenas ter uma "forma"
de crente. A palavra do
Senhor deixa bem claro e aconselha "que o bom servo domina
bem a palavra".
Certa feita, conversando com um irmão
levita, desses que se dependesse da
beleza de suas músicas para ir para o céu certamente
estaria ao lado de
Deus, ouvi a seguinte frase: - Puxa, João Inácio,
se eu pudesse gravar um
disco com minhas músicas, certamente iria cantar em
tudo que é igreja. Será
que ía mesmo? Mas, e daí? Será que existe
mais algum sacrifício a ser feito
por Jesus, para que possamos aceitá-lo e serví-lo?
Quase sempre agimos como
que se estivéssemos numa barganha: - Senhor - muitas
vezes pensamos - faça
isto que eu te darei em dobro...Este princípio de pensamento
permeou minha
mente por um bom tempo e confesso que é bem difícil
se livrar dele. Agimos
quase sempre como se Deus dependesse de nós, quando
na verdade é bem o
contrário. Deus nos ama. Ele não está
longe, nós é que nascemos distantes e
precisamos da Sua graça para reconciliação,
mediante aceitação do Seu
sacrifício na cruz. O primeiro passo foi de Jesus,
na Cruz, por amor, não
por solidão. Achar que Deus depende dos meus dons e
talentos para fazer a
Sua obra é tão pecaminoso como quanto a tentação
do diabo, propondo que
Jesus pulasse do monte, visto que Ele era Deus.
Pelo que observamos (e nos incluímos
neste bolo), nós, os levitas da
"geração gospel", temos entendido
muito mais de solos, acordes e melodias
prá ensinar que um refletir nos fundamentos da nossa
fé. Se Deus tivesse que
fazer um vestibular, verificando as virtudes e conhecimentos
dos homens para
admitir apenas os que sabem tudo da bíblia, certamente
a maioria de nós
seria reprovada. Agora, se a questão fosse apenas do
tipo "qual o nome da
banda? Como que eu encadeio esses acordes? Onde nasceu o gospel?
Aí a coisa
mudaria de figura. De fato, a bíblia recomenda que
toquemos com arte. Mas
não recomenda apenas isto. Recomenda também
que o Cristão deve manejar bem a
palavra de Deus. Se considerarmos o tamanho dos Salmos e que
estes são
músicas, observaremos que algo pode ser melhorado na
produção dos cânticos
congregacionais. O que muitas vezes chamamos pejorativamente
de corinhos,
são cânticos espirituais e que lamentavelmente
tem seguido a tendência de
cair no lugar comum, repetindo sempre os mesmos temas, quando
a diversidade
de temas na Bíblia é extremamente valiosa.
É óbvio que não haverá
um "vestibular" para entrar no céu, mas
desfrutaremos muito mais do céu aqui na terra se nos
completarmos com a
palavra do Senhor. Como saberemos discernir o certo e o errado
sem ter
conhecimento da vontade de Deus, conforme está expressa
em sua palavra? Como
teremos o que ministrar se não temos nos alimentado
do verdadeiro alimento,
que é a palavra de Deus? Como sairemos por aí,
se a palavra não está
plantada em nosso coração? É a pergunta
feita na música do grupo Semeador
(RJ) e que também é a nossa.
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