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SOCORRO!! OS LEVITAS VOLTARAM
V- MINHA EGUINHA POCOTÒ
Autor: José Junior
Quando o bonde do tigrão invadiu o Brasil
eu imaginei que tínhamos chegado ao fundo do poço
musical, mas não! Estávamos apenas
começando a entrar no poço. A galope, eis que
chegou pra infernizar (acho que é o verbo mais correto)
a nossa vida musical a égüinha pocotó,
que bem poderia ser cantada somente pra filhinha e pra vovó.
Mas, como brasileiro adora se meter em "coisas de família",
acabou sobrando pra nós, que não fazemos parte
da família do MC (Melhor Calado) Serginho.
Mas... o que isso tem a ver com os "levitas" ?
As características mais marcantes da "música"
(acho que estou cometendo um sacrilégio) da égüinha
são, sem dúvida alguma, a
pobreza de letra (além do péssimo português)
e a repetição exaustiva de um refrão
que faz nossa cabeça trotar, ao som do pocotó
pocotó pocotó...
É aqui que a égüinha pocotó parece
galopar em nosso meio, pois temos sido submetidos a uma enxurrada
de cânticos que carecem de letras boas, que sacrificam
a nossa já sacrificada língua portuguesa, além
de estarmos sendo submetidos a uma nova safra de
cânticos que abusa das repetições, tornando-se
uma espécie de mantra evangélico, onde pelo
muito repetir, experimentamos uma espécie de "nirvana"
celestial.
A pobreza das letras já tem sido assunto de outros
textos, mas é sempre importante falar sobre isso. Creio
ser importante pois quando cantamos estamos "ensinando"
algo para a igreja. Os membros de nossas igrejas quando cantam
algo cantam como se aquilo fosse uma verdade bíblica,
ou pelo menos algo vindo de Deus.
Quando fazemos com que o que é cantado seja de baixa
qualidade, estamos fazendo com que o conhecimento musical-teológico-bíblico
do
povo seja baixo e, conseqüentemente, seu louvor seja
de baixa qualidade. Não estou aqui me referindo à
espiritualidade do povo,
isso é uma coisa entre a pessoa e Deus, e quem sou
eu para questionar isso, mas quero deixar claro que penso
que quanto mais
pobre for o ensino dado à pessoa (seja através
de música ou pregação), mais pobre será
seu raciocínio bíblico.
Há músicas em nosso meio (assim como a da égüinha)
que não dizem absolutamente nada! São boas de
ritmo, mexem com as emoções, promovem coreografias,
mas são quase nulas (ou totalmente) de conteúdo.
Isso é perigoso porque leva o povo a uma espécie
de repetição de palavras somente sem que aquilo
lhe diga algo ao coração. Pergunta-se: "o
que quer dizer tal cântico?" e a resposta é
que não se sabe, mas que é gostoso cantá-lo.
Quanto às repetições, nosso meio evangélico
está sendo invadido por músicas que mais parecem
mantras orientais. Recentemente ouvi um CD onde havia uma
música em que apenas quatro versos se repetiam por
mais de 16 minutos. Outras músicas do mesmo CD seguiam
o mesmo estilo. Onde vamos parar? Em catarses coletivas?
Outra forma (ainda que mais "leve", mas não
menos perigosa) dessa onda de repetições se
revela nos encontros onde a mesma música é tocada
diversas vezes. Qualquer um com um conhecimento superficial
de psicologia sabe que isso exerce uma influência na
mente do indivíduo, ainda mais quando a música
é executada em volumes altíssimos. Aquilo leva
o povo a uma espécie de êxtase coletivo, e torna-se
fácil a manipulação de qualquer auditório
para qualquer coisa que o líder queira realizar, seja
o revelar de novas "unções" como o
"cair no espírito" e coisas afins...
Precisamos ter sempre em mente as palavras de Paulo: "cantarei
com o espírito, mas também cantarei com o entendimento".
Louvor e
conhecimento bíblico, entendimento das verdades bíblicas
e entendimento das realidades humanas devem caminhar de mãos
dadas,
assim estaremos sempre oferecendo a Deus o nosso melhor..
o nosso "culto racional".
Que Deus nos livre de um louvor inconsistente e inconsciente,
que se deixa levar apenas pelo ritmo ou pelo "pocotear"
de frases
sem sentido.
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