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IDOLATRIA EVANGPELICA
Autor: Marcos Inhauser

Se há uma coisa que caracteriza amplo segmento do setor evangélico é a forte ênfase que dão ao combate à idolatria.
Apoiados na condenação existente nos Dez Mandamentos, de que não se deve fazer imagens de escultura em semelhança de
pessoas, objetos ou animais, nem se deve a eles prestar cultos, condenam qualquer tipo de atitude que a isto se assemelhe.
Esta é a razão pela qual quase todos os templos evangélicos são destituídos de trabalhos artísticos, até mesmo nos
vitrais, sem preocupação maior com o estético e o arquitetônico. Via de regra os templos evangélicos são desprovidos
de qualquer adorno.

O conceito de idolatria no universo evangélico é dar a qualquer coisa ou pessoa honra devida só a Deus ou, como normalmente se diz, qualquer coisa que tome o lugar de Deus. Há segmentos que dizem que ajoelhar ou se curvar diante de alguém é algo que a Bíblia condena
porque tais atos devem ser dedicados somente a Deus. Outros recusam o termo "reverendo" para caracterizar seus
pastores, porque entendem que a reverência se deve à divindade.

No entanto, a meu ver, nem por isto muitos evangélicos deixam de ter seus ídolos e de prestar-lhe culto. Refiro-me
ao fenômeno de se ter ídolos de carne e osso, sejam eles pregadores, escritores, músicos ou cantores.

A recente exposição de pregadores, pregadoras, cantores e cantoras na mídia e a explosão da música gospel propiciou
o surgimento de uma plêiade de "ídolos", pessoas que ganharam notoriedade e que passam a ser vistas como gente diferente
e especial pelos demais. São pessoas que recebem dos seus fãs, tal como acontece no mundo secular, atenção, honra e
reverência que se enquadram nos conceitos de idolatria. Estes ídolos do mundo da música gospel passam a ser vistos como gente diferente, como sendo mais iluminada, mais inspirada por Deus, suas palavras acabam se tornando ordens;seus conceitos, verdade suprema e suas vontades, ordens. São vistos como pessoas que têm relação direta com a divindade, com maiores poderes
espirituais, cujas orações têm mais chances de serem respondidas.

Por força do trabalho, certa vez tive que acompanhar um destes "ídolos" em seu camarim após o show, quando uma dezena
de pessoas teve acesso ao artista. Fiquei chocado com as cenas de adoração explícita que se seguiram. Gente pedindo
autógrafos, pedindo que orasse porque tinha mais intimidade com Deus, de pedidos que o artista o abençoasse. Em
outra oportunidade, a tietagem a uma cantora chegou às raias do absurdo, com gente que somente queria tocá-la, como
forma de ser "abençoada". Mais recentemente, o grupo que se apresentava em um local aberto, para sair do ônibus
e dirigir-se ao palco, exigiu "proteção policial" para não ser perturbado pela gentalha. Se não houver nisto algo de idolátrico,
vou precisar voltar ao seminário, jogar fora as teologias que estudei e "entrar na onda".