Valter Junior

Release
15/05/2002


Até parece que foi ontem

Era abril de 92, no primeiro sábado à noite, o mineirinho radicado em Brasília Valter Júnior acompanhado da namorada Jane Cristina sobe ao palco do salão de festas do Telestar (Telebrás) para lançar "Momentos e canções" - um LP marcadamente evangelístico, que tinha em "Pedro", o carro-chefe e as muito bem executadas "Bill Bíblia" e "Eita Coração". Começava a carreira artística do cantor Valter que desde então passou a percorrer igrejas e outros locais divulgando seu trabalho.

Para celebrar os dez anos dessa epopéia, Valter lança em 2002 o CD "10 anos." Engana-se quem pensar que é apenas um CD de recordações. O trabalho comemorativo traz inclusive três canções inéditas: a romântica Nosso amor, o bolero Canção para os pais e Rompendo barreiras, própria para o cântico congregacional.

Também estão nesse CD, seis músicas dos dois primeiros trabalhos de Valter Júnior(92 e 93), lançados em LP: Falsos Deuses, Janela da Alma, Democracia, O Dia, Consagração e Busca. Lado a lado com essas músicas menos conhecidas do repertório do cantor e compositor, o novo trabalho traz também cinco das que mais se destacaram nos quatro CDs que lançou a partir de 95: a consagrada Pedro, obra prima de auto-reflexão, Sobre as ondas, Recomeçar, Eu e você, e Papai Noel não existe. Completam o repertório sete playbacks, totalizando 72 minutos de gravação.

A versatilidade de Valter Jr.

O último trabalho de Valter, Equilíbrio, de 2000, como ele mesmo diz, tocou em temas que chamam a atenção para necessidades da igreja nesse contexto de novo milênio. Recuperando a motivação central de Momentos e Canções, o CD deu uma ênfase à mensagem evangelística e valorizou os hinos tradicionais do cancioneiro evangélico num repertório diversificado que vai do estilo sacro tradicional ao bolero, passando pelo sertanejo e o pop. Nas palavras do músico e pastor Carlinhos Veiga: "É perceptível o amadurecimento do músico. Sua voz está mais trabalhada; suas composições mais aprimoradas".

Em Teu Piloto Ainda Sou, da autoria de Emily Wilson, ele fez uma versão do famoso hino. Virou um jazz leve e inspirador, com tudo o que tem direito: um piano muito bem executado, valorizado pelas cordas e os ataques de metais. Equilíbrio também ficou marcado pela influência regional de Forma e Conteúdo e Desafio Missionário. Canções bem no estilo sertanejo, com melodias fáceis de serem assimiladas em versos criativos e oportunos.
Interessante foi o espaço maior que o artista deu aos compositores brasilienses, com destaque para Rodrigo Bueno, autor da faixa Tenho contra Ti, uma advertência aos rumos da igreja evangélica brasileira.

E de tanto cantar e falar em música, Valter buscou trazer uma contribuição mais objetiva às igrejas. Surgiu assim o pequeno livro A música no dia-a-dia da igreja - identificando problemas e propondo soluções - fruto de suas peregrinações por igrejas de todas as perspectivas doutrinárias e ênfases litúrgicas. Eis a motivação do cantor: "Nestes 18 anos lidando com a música na igreja, pude identificar várias coisas que embora simples, traziam consequências complexas, prejudicando assim o bom andamento e realização da obra de Deus. Sei que criticar e apontar erros é muito fácil e pouco produtivo. Por esse motivo, busquei com esse livro oferecer uma contribuição prática e simples para o debate." Sem pretensão de uniformizar ou padronizar, Valter quis ajudar pessoas sem acesso à formação musical ou mesmo a informações mínimas sobre o ministério de música na igreja.

Na estrada há oito anos

Em abril de 2000 fez oito anos da estréia de Valter Júnior no meio musical. "Momento e Canções", um LP marcadamente evangelístico, trazia "Pedro", o carro-chefe e as muita bem executadas "Bill Bíblia" e "Eita Coração". A partir daí Valter passou a percorrer igrejas e outros locais divulgando seu trabalho. No ano seguinte, surgiu "Canto Livre", outro LP, mais diversificado que o primeiro, trouxe-nos belas canções: o romantismo de "Uma declaração de amor", o regionalismo de "Missão e Omissão" e "Lembrança de Caboclo" numa versatilidade enriquecedora.

Em 1995 foi a vez do primeiro CD "ESSÊNCIA", um trabalho de muito bom gosto. De olho na onda mística em voga na capital federal, "Desperta Brasília" é uma mensagem bíblica e profética para um povo que busca consolo e paz em outros deuses e no misticismo. Regravou "Quero Cantar", do Grupo Logos, e ainda deixou um recado para a moçada que vive por viver em "Juventude Descartável ".

Os trabalhos mais recentes foram "Bálsamo", de 97, que trouxe canções numa linha mais introspectiva - "Deixe o Salvador te ajudar" e "Pequeno menino" são bons exemplos - e "Criança não é brincadeira", de 98, um trabalho para as crianças e seus pais. O CD traz canções que propõem uma reflexão sobre os efeitos nocivos da televisão, o mito do Papai Noel, separação de pais, pré-adolescência, entre outros temas.

Sem deixar a peteca cair

O mineiro Valter Júnior, 31, é natural de Santo Antonio do Monte, mas veio com a mãe e os três irmãos para Brasília desde 1982. Aqui começou a trabalhar como contínuo na Telebrás e a cursar Direito na AEUDF, à noite. Aos treze anos, entregou sua vida a Jesus e passou a frequentar a igreja evangélica

Começa aí suas primeiras incursões no meio musical, passando a participar da equipe de música de sua igreja, dos corais, duetos e quartetos, chegando a líder na direção de louvor. Em 88, já em Brasília, na companhia de outros jovens, montou a Banda Nascente, grupo que tinha como bandeira maior a evangelização da juventude em praças, escolas e até em portas de boates. Foi nesta época que descobriu um outro dom, o de compositor.

Em julho de 90 veio o baque. Num dia, em trabalho voluntário numa creche, sentiu-se mal e foi levado às pressas para um hospital. Tempos depois foi diagnosticado o mal: "hipertensão intracraniana" que o levou a uma perda total da visão pela atrofia do nervo ótico. Faltavam apenas seis meses para a conclusão do curso de Direito. O jovem Valter que, quando criança, havia escapado da paralisia infantil que lhe marca até hoje, teve então que se readaptar para conviver com uma realidade mais difícil ainda. Mas, como testemunha, a graça de Deus foi maior que as crises e doenças e Valter, dedica-se, junto com Jane, com quem se casou em janeiro de 93, em tempo integral ao trabalho musical levando fé, amor e esperança por esse Brasil afora. Além de Brasília, Valter tem se apresentado em Goiás, Minas, Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe, São Paulo e Espírito Santo. O casal mora em Taguatinga e tem dois filhos: Vítor, 4, e Gláucia, 3.

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