Ter, 24 de Março de 2009 12:56
Ao visitar as igrejas (as mais diversas), no exercício do meu ofício de cantor evangélico, tenho percebido que a receptividade das pessoas à pregação é sempre maior na medida em que não se trate de temas trabalhados pela Bíblia. Parece que as pessoas não querem ser confrontadas com a verdade bíblica. É como se vissem os pregadores como pessoas escolhidas para descobrirem "atalhos", "formas menos comprometidas" e "cinco regras básicas" que resumam a vida cristã, a simplificam (embora não seja complexa) de modo a tornar a sua vivência mais fácil.Muitos estão, de forma talvez inconsciente, adotando uma terceirização da vida espiritual (como se pudéssemos separar vida espiritual de vida material). A pessoa não ora, mas tem seu nome escrito nos mais diversos livros de oração de várias igrejas. A pessoa não ora, mas sabe que homens e mulheres consagrados, não apenas oram por ela, mas também jejuam, pois o nome dela está entre aqueles pelos quais os intercessores estão buscando a Deus.
Muitos não estudam a Bíblia, mas sabem que em suas igrejas existem líderes que foram enviados aos mais conceituados centros de estudo teológico. A pessoa não conhece a Bíblia, mas qualquer pergunta que tenha ou receba, de pronto a encaminha para o expert. Expert esse que recebeu uma colaboração dela para sua formação acadêmica. Assim, ela sabe que não estuda a Bíblia, mas colaborou para que alguém estudasse por ela. Esse alguém, pensa ela, passa a ter a obrigação de representá-la quando o assunto for conhecimento bíblico.
Muitos não evangelizam, nem investem em missões, mas se orgulham do trabalho que suas igrejas realizam nessa área. Essas pessoas poderiam fazer bem mais do que fazem, mas se conformam em dar uma contribuição pessoal, financeira simbólica de modo a se sentirem participantes e cooperadores. Quase acionistas. Como se a igreja fosse o templo ou uma instituição fictícia da qual ela participa, mas não é parte integrante como os membros são parte do corpo.
Muitos não ensinam seus filhos no caminho em que devem andar, mas apoiam firmemente o ministério de ensino da igreja. Deviam fazer uma coisa sem desprezar a outra. O ensino dado pela Escola Dominical ou outro modelo não substitui o ensino dos pais.
Enfim, vejo-os utilizando aquilo que a igreja lhes proporciona como uma "muleta". Se por um lado não fazem o que deviam e da forma que deviam, não se sentem omissos, pois afinal estão de alguma forma associados à ação dos vários ministérios da igreja.
São consumidores e não canais por meio dos quais a graça de Deus é comunicada. Contribuem com pouco, mas exigem muito. Qualquer dia desses ainda vai me aparecer um membro de igreja acionando a igreja na Justiça com base no código do consumidor.
Perdemos muito com isso. Perdem as pessoas o privilégio de verem a vontade de Deus realizada em suas vidas, pois querem de Deus apenas o que julgam conveniente. Perdem os líderes ao se deixarem levar pela atitude passiva das ovelhas que já não desejam apenas alimento, mas que alguém coma por elas, viva por elas, atenda ao propósito de Deus no lugar delas.
Levar o evangelho todo a todos vai provocar certo incômodo aos que estão acomodados nesse estilo de vida descomprometido em que se diz “sim” para os prazeres celestiais aqui na terra, mas se diz “não” para os sacrifícios inerentes a uma vida de entrega e obediência.
Que tipo de vida eu estou levando? Que tipo de vida você está levando? O que podemos fazer para mudar esse quadro? As respostas me parecem simples, mas certamente demandarão inspiração e transpiração.
Que Deus tenha misericórdia de nós.





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