Pastores ou humoristas?

Escrito por Valter Junior.

Me preocupa a quantidade de piadas e histórias engraçadas que fazem parte das pregações de muitos pastores. Claro que é muito agradável para quem prega ver um auditório aos risos e gargalhadas, mas quando o objetivo passa a ser fazer rir e conquistar a simpatia e não o de transmitir a mensagem, temos um grave problema.

Usar uma história engraçada ou piada para falar de algo muito sério por receio de se desgastar com os ouvintes também é algo grave.

Na maioria das vezes os ouvintes lembram das piadas usadas para se transmitir a mensagem, mas não da mensagem.

Precisamos confiar naquele que nos envia a pregar e assim, não cedermos a tentação de usar artifícios na transmissão da mensagem.

A prática de começar uma fala contando uma piada ou história engraçada para "quebrar o gelo" se traduz em um argumento muito frágil. Quase sempre esse "quebra gelo" nos brinda com algo sem graça e em nada tendo a ver com a mensagem que se segue.

Se aprendemos a pregar com Cristo, veremos que usou tudo que usou de forma equilibrada como meios adequados e nunca como artifícios.

Ao ouvirmos essas mensagens hilariantes devemos estar alertas para o fato de que podemos estar rindo dos pecados uns dos outros, nos ferindo mutuamente, nos dispondo mais ainda a não mudar e assim insistir nas falhas que a pregação nomeia.

Em vez de rirmos dos pecados alheios, precisamos chorar por nossos próprios pecados. Se isso não acontecer, ficaremos apenas ávidos pela próxima piada.

Vale no entanto alertar para que se evite o extremo de não comentar algo apropriado pelo fato de se tratar de uma situação engraçada. Não é porque uma situação é triste que se torna espiritual, nem porque é engraçada que deixa de ser espiritual. O uso que se faz é que merece nossa especial atenção. Afinal, há tempo para tudo.

Deus nos ajude!